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Nos últimos 4 anos, muito se discutiu a respeito de qual efetivamente era ou é a marca do governo Jerônimo Rodrigues.



Eleito em um contexto teoricamente atípico, Jerônimo emergiu de um pretenso desconhecido – a quem era atribuída pelo grupo que fazia oposição ao então governador Rui Costa a responsabilidade pela repetida pecha de “pior educação do Brasil” – a governador da Bahia em um curto intervalo.

Tudo isso diante de um adversário que 6 meses antes da eleição estava mais de 50 pontos percentuais à sua frente, em pesquisas que davam a ACM Neto 60% a 7% contra o escolhido pelo núcleo duro petista para a sucessão.

Nos primeiros meses de 2022, era dado como favas contadas que o nome seria o de Jaques Wagner, eleito senador da República mais votado da história da Bahia em 2018 e o pioneiro dos governos petistas, responsável pela vitória surpreendente contra Paulo Souto em 2006 no 1º turno.

O imbróglio em torno da disputa pelas vagas ao Senado envolvendo Otto Alencar, Rui Costa e João Leão, no entanto, desordenou por completo o tabuleiro. Enquanto Rui almejava ser candidato já naquele ano, até a cabeça de chapa foi oferecida ao então senador Otto, para que assim já se configurasse o nome do muito bem avaliado Correria. Com o “pulo” de João Leão para o lado de ACM Neto, aumentou a pressão para que Rui concluísse o mandato sem renunciar ao cargo, ao mesmo tempo em que Otto disse a Lula: “Presidente, eu não me sinto com saúde física e mental para ser candidato a governador”.

Desacreditado, Jerônimo foi ridicularizado pela oposição ao ser escolhido. No grupo netista, a famigerada vitória foi dada não só como certa, mas como questão de tempo. ACM Neto foi candidato a governador da Bahia pela primeira vez sob uma narrativa oposicionista que misturava um saudosismo carlista – sacramentado pelo reavivamento do célebre jingle “Você se lembra de mim?” – com uma espécie de unção divina.

Neto chegou a afirmar, no discurso que oficializou a sua candidatura, que “se preparou a vida toda” para ocupar o cargo a cujo nome se colocava à disposição. A despeito da verossimilhança, a afirmação denotava o aspecto de herança com que se pleiteava o governo do estado da Bahia.

As urnas, no entanto, contrariaram o esperado: Jerônimo só não venceu as eleições no 1º turno por pouco. Não fossem os quase 50 mil votos de Kléber Rosa – que jamais seriam de ACM Neto ou João Roma, diga-se de passagem –, a fatura teria sido liquidada em 2 de outubro de 2022.

Eleito com quase 6 pontos percentuais de frente – ou cerca de 480 mil votos –, Jerônimo consolidou a hegemonia eleitoral do grupo petista na Bahia.

Por si só, o resultado eleitoral representava o que tanto a oposição amargamente derrotada quanto cientistas políticos, jornalistas e afins procuravam explicar sem sucesso: o desejo da maior parte do povo da Bahia.

Como bem disserta o sociólogo Jessé Souza em A Elite do Atraso (2017) e Pobre de Direita (2024), sempre se encontram explicações que deslegitimem o resultado das urnas quando estas insistem em escolher representantes das classes populares, para que assim se possa (1) na melhor das hipóteses explicar, (2) ou até mesmo questionar o que o voto da maioria insistiu em dizer.

Na Bahia, nenhuma das razões elencadas como justificativa, como o fenômeno Lula, a força dos prefeitos ou o chamado assistencialismo – forma pejorativa como são classificados programas que transformam a vida de pessoas historicamente abandonadas pelo Estado –, é totalizante ao explicar o resultado de 2022.

A verdadeira resposta é: Jerônimo venceu as eleições porque essa foi a vontade da maior parte do povo da Bahia, doa a quem doer. A graça da democracia é essa: o voto do eleitor dos grandes centros tem, para a urna, o mesmo valor que o do menor colégio eleitoral do estado.

E a marca do seu governo emerge justamente disso: o povo da Bahia no poder. Negro, indígena, nascido, criado e crescido no interior, Jerônimo se formou na UFBA, se pós-graduou na UFRB e se tornou professor na UEFS: todas universidades públicas que também formaram milhares de baianos com uma história de vida parecida com a sua.

Em 2022, o PDT, meu partido de cabeça e coração desde 2018, quando ingressei na Juventude que hoje tenho o orgulho de presidir, não apoiou a eleição de Jerônimo Rodrigues. Em busca de um palanque para o projeto nacional representado à época pelo então desenvolvimentista Ciro Gomes, o PDT se viu traído ao não ter nada do acordado para tal movimento: nem Neto apoiou Ciro, nem lugar na chapa majoritária dele tivemos.

No entanto, quão caro foi para nós vermos Jerônimo encampar a entrega de mais de 100 escolas de tempo integral, realizando na Bahia o sonho de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro para o Brasil: os filhos dos empobrecidos estudando o dia todo em colégios iguais ou melhores que os dos ricos, longe dos riscos da violência e do assédio do tráfico de drogas. Definitivamente o melhor investimento em segurança pública que um governante pode realizar.

Não parou por aí: Bahia sem Fome, Bahia pela Paz, novos hospitais, o cuidado especial com Salvador com entregas como a Nova Rodoviária da Bahia e o VLT. Em números proporcionais, a Bahia é o estado que mais investe no Brasil. Em totais, o 2º, ficando atrás apenas do estado de São Paulo.

Portanto, a marca do governo do Jubiabá é o próprio feito: Jerônimo Rodrigues. É o povo olhando nos olhos do governador nos 27 territórios de identidade, nos quase 417 municípios já visitados em menos de 4 anos – feito histórico alcançado apenas em 8 pelos seus antecessores – e se enxergando, podendo dizer: “um de nós”.

E é com esse espírito que o grupo político de Lula, encabeçado nas urnas por Jerônimo e liderado por ele, Jaques Wagner, Rui Costa, Otto Alencar e Adolpho Loyola, caminha para mais uma vitória no 1º turno das eleições de 2026.

O povo da Bahia que buscava água no balde, hoje a vê jorrar ao abrir a torneira. Que ao anoitecer recorria ao candeeiro, hoje assiste à televisão despreocupado. Que via os filhos terem de viajar para ter acesso aos estudos e hoje os vê fazendo inveja nas escolas particulares. Esse povo sabe que mudança só se for para continuar avançando.

E é esse povo que vai reeleger Jerônimo Rodrigues governador da Bahia em 4 de outubro de 2026.

 

Carlos Brasileiro é advogado, formado em Direito pela UNEB, Tesoureiro do PDT da Bahia e presidente da juventude do partido.



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